QUAL A TENDÊNCIA DO PREÇO DÓLAR NO BRASIL?

Por Igor Olandim.

O governo de Donald Trump adotou uma perspectiva singular sobre a economia, defendendo que um dólar forte é, na verdade, prejudicial à competitividade das indústrias e exportações americanas, pois encarece os produtos “Made in USA” no mercado global. O principal objetivo dessa política, inserida sob o mote “America First”, é reverter o déficit comercial e impulsionar a criação de empregos nos Estados Unidos.

Uma desvalorização cambial torna os bens e serviços domésticos relativamente mais baratos para compradores estrangeiros e, simultaneamente, torna os bens e serviços importados relativamente mais caros para consumidores domésticos. Este movimento estimula as exportações e desincentiva as importações, o que é o caminho macroeconômico clássico para a redução do déficit comercial e, idealmente, para o alcance de um superávit.

Para alcançar o enfraquecimento do dólar, a administração não recorreu à intervenção cambial direta, mas sim a táticas indiretas poderosas. A principal delas foi a intensificação da Guerra Comercial, marcada pela imposição de tarifas elevadas sobre bens de nações parceiras, como a China. Embora o objetivo declarado fosse proteger indústrias, essa política gerou significativa instabilidade e incerteza nos mercados globais. Esta volatilidade, por sua vez, funcionou como um fator de pressão para a desvalorização cambial, um subproduto que o governo via como benéfico para os exportadores.

Paralelamente à política comercial, o presidente Trump exerceu intensa pressão política e retórica sobre o Federal Reserve (Fed), o banco central americano. Através de críticas públicas frequentes ao presidente do Fed, Jerome Powell, ele buscava forçar o corte das taxas de juros. Juros mais baixos nos EUA tornam os ativos financeiros em dólar menos atraentes para investidores estrangeiros, o que reduz a demanda pela moeda e, consequentemente, a enfraquece. Assim, a estratégia de Trump para “enfraquecer o dólar” resumiu-se a utilizar a política comercial como alavanca e a pressão pública sobre o Fed como tática, influenciando indiretamente o valor da moeda para atingir suas metas comerciais.

Em 2025, o Federal Reserve (Fed) iniciou um ciclo de redução gradual nas taxas de juros, buscando calibrar a política monetária após o período de aperto. Em um movimento notável em setembro e outubro, foram realizados dois cortes de 25 pontos-base, estabelecendo a taxa básica em torno de 4,0% ao final de outubro.

No entanto, esta política de flexibilização não ocorre sem atritos. Atualmente, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Fed demonstra uma divisão acentuada sobre o futuro dos juros. De um lado, membros defendem cortes mais rápidos para impulsionar o emprego e o crescimento econômico, buscando evitar uma desaceleração indesejada no mercado de trabalho. De outro, há aqueles que advogam por manter as taxas mais altas por mais tempo, temendo que a inflação persista.

O resultado é um cenário de dilema. Embora o Fed tenha conseguido realizar alguns cortes, a pressão inflacionária advinda da política tarifária do governo Trump (ou de qualquer governo com tarifas protecionistas) impõe um teto para o quão baixo os juros podem cair. Essa resistência em reduzir drasticamente as taxas ajuda a manter o dólar mais forte do que o desejado pela Casa Branca, reiterando o paradoxo central: a política comercial do governo, ao gerar inflação, cria a necessidade de uma política monetária restritiva que, por sua vez, mina o objetivo da Casa Branca de ter um dólar fraco e superávit comercial.

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