Por Igor Olandim.

Quantas ações devo incluir na minha carteira? Essa é uma das principais dúvidas de qualquer investidor. E essa pergunta está muito associada ao manejo de risco necessário para mitigar o risco da ruína ou de perdas severas.

A resposta, contudo, não está em um número fixo, mas em um conceito essencial: a volatilidade, que, em grande medida, reflete o nível de risco de um ativo.

RISCO E RETORNO: UMA RELAÇÃO INSEPARÁVEL

Todo investidor busca equilibrar rentabilidade e segurança. No entanto, é indispensável compreender que risco e retorno caminham juntos. A volatilidade indica tanto o potencial para ganhos expressivos quanto a possibilidade de perdas significativas.

Imagine uma carteira enxuta, com menos de cinco ações. O desempenho de poucas empresas definirá seu resultado. Se tudo correr bem, os ganhos podem ser elevados; caso contrário, a queda será dolorosa. A concentração amplia consideravelmente o risco.

QUALIDADE DE ALOCAÇÃO

A qualidade das escolhas e a diversidade setorial são cruciais. Dez ações do mesmo segmento não protegem como dez ações distribuídas por diferentes segmentos. Busque empresas sólidas, com bons fundamentos, perspectivas promissoras e diversificadas. 

PARTICIPAÇÃO DE CADA AÇÃO NA CARTEIRA TOTAL

Outro ponto importante é a alocação. A forma como você distribui o peso entre as ações influencia risco e retorno. Para o longo prazo, uma distribuição equilibrada, com ajustes pontuais conforme as tendências, é a abordagem mais prudente. 

Particularmente eu não tenho nenhuma ativo com mais de 10% da minha carteira total.

CONSTÂNCIA É MAIS IMPORTANTE QUE PICOS

No Brasil, onde a taxa de juros (Selic) é historicamente volátil, manter constância nos rendimentos ao longo do tempo é mais relevante do que buscar ganhos extraordinários. Em períodos de alta da Selic, superar a rentabilidade dos juros é um desafio, e estratégias arriscadas podem levar a perdas significativas. Por isso, uma carteira bem diversificada, com ativos sólidos e visão de longo prazo, é a melhor forma de garantir estabilidade e crescimento consistente.

O PAPEL DO BETA

O indicador Beta mede a correlação entre as variações do Ibovespa e um determinado ativo. Quanto maior o Beta, mais volátil é o ativo; quanto menor, menos volátil. Empresas como seguradoras tendem a ter Beta baixo, enquanto varejistas costumam apresentar Beta alto. O importante é observar o Beta médio da sua carteira.

QUANTIDADE DE AÇÕES

Diversificação é a chave para reduzir riscos. Estudos mostram que, à medida que novas ações são adicionadas, a volatilidade tende a diminuir, aproximando-se do nível do Ibovespa. Porém, essa redução tem um limite: chega um ponto em que incluir mais ativos não traz benefícios relevantes.

Realizei um estudo de diversificação de portfólio utilizando 50 ativos de renda variável pertencentes a setores econômicos distintos. O procedimento consistiu em adicionar as ações sucessivamente, em peso igualitário, para monitorar o efeito da diversificação sobre a volatilidade total (risco).

Os resultados demonstram que a volatilidade experimenta uma redução acentuada na fase inicial da diversificação, alcançando posteriormente um patamar de estabilização, conforme esperado pela teoria de gestão de risco.

    • 01 ação:  36,8%

    • 05 ações: 27,4%

    • 10 ações: 20,4

    • 20 ações: 14,5%

    • 30 ações: 12,8%

    • 50 ações: 12,1%

Volatilidade e a curva de rendimento, representando as incertezas no mercado financeiro e suas implicações para os investidores.

Para alcançar uma volatilidade mais confortável, recomenda-se uma carteira com 20 a 30 ações de diferentes setores, capaz de absorver me

 RESPEITE SEU TEMPO

Você realmente consegue acompanhar uma carteira com 30 ações? Provavelmente não. A estratégia mais eficiente é manter um número equilibrado de ativos: suficiente para diluir riscos e reduzir a volatilidade, mas que ainda permita acompanhar minimamente seus fundamentos.

Ter 30 ações sem monitorá-las pode ser mais arriscado do que manter 15 bem acompanhadas. Esse conceito é essencial para entender que não existe um “número mágico” de ações capaz de garantir o menor risco possível.

A quantidade ideal para a sua carteira será diferente da minha, e isso é natural. Cada investidor tem disponibilidade distinta para acompanhar seus investimentos, e essa variável deve ser considerada na definição da estratégia.

QUAL O PONTO DE EQUILÍBRIO?

Não existe um número mágico de ações para todos os investidores. A decisão deve considerar diversificação, qualidade dos ativos, alocação equilibrada e sua capacidade de acompanhamento.

Em geral, uma carteira entre 13 e 20 ações bem selecionadas e distribuídas por setores tende a oferecer um bom equilíbrio entre risco e retorno.

Pessoalmente, acredito que o equilíbrio está em torno de 15 ações. Uma carteira com 15 ações bem distribuídas por setores, com um Beta médio próximo ao do Ibovespa, pode alcançar uma volatilidade em torno de 15%, o que já é suficiente para mitigar riscos e garantir rentabilidade no longo prazo.

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