FALÊNCIA DA OI: OS PROBLEMAS QUE LEVARAM À RUÍNA E O QUE VAI ACONTECER AGORA

Por Igor Olandim.

 QUAIS ERAM OS PROBLEMAS DA OI?

Os problemas da Oi eram complexos e se arrastam há anos, sob o ponto de vista do negócio podemos listar alguns gatilhos para a grave crise econômico-financeira da empresa:

Alto Endividamento Histórico: A empresa carregava uma pesada dívida oriunda de decisões estratégicas passadas, como a fusão com a Portugal Telecom e aquisições de empresas endividadas.

Multas da Anatel: O acúmulo de multas bilionárias da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) por descumprimento de obrigações piorou drasticamente a situação financeira.

Esvaziamento Patrimonial: A Oi vendeu seus principais ativos (como a Oi Móvel, as torres e parte da infraestrutura de fibra óptica) durante o processo de recuperação judicial, mas os recursos gerados não foram suficientes para sanar o endividamento e, principalmente, garantir a continuidade das operações restantes

Atraso na Venda de Ativos: A venda de outros ativos (como a UPI Ativos Móveis) demorou mais que o esperado, forçando a empresa a realizar refinanciamentos caros que complicaram ainda mais o caixa.

Queda na Geração de Caixa: Após a venda da Oi Móvel e de outros ativos, a capacidade da Oi de gerar caixa livre despencou, frustrando as previsões dos planos de recuperação.

Disputas com Rivais: A Oi se envolveu em disputas com Claro, TIM e Vivo sobre o preço de fechamento da venda da Oi Móvel, resultando na suspensão da entrada de R$ 1,5 bilhão no caixa da Oi, agravando a crise de liquidez.

Cenário de Mercado: A dificuldade em atrair novos investidores do setor de telecomunicações e a crise econômica generalizada (como a pandemia) frustraram as previsões de recuperação.

 E AGORA O QUE VAI ACONTECER?

Com falência decretada, o efeito dominó já começou! As consequências são muitas… vamos citar algumas:

Suspensão das Negociações: A B3 (Bolsa de Valores) suspendeu imediatamente as negociações com as ações da Oi (OIBR3 e OIBR4) após o decreto de falência.

Afastamento da Gestão: A diretoria e o Conselho de Administração da Oi foram imediatamente afastados.

Administração Judicial: Foi nomeado um administrador judicial para assumir a gestão da “massa falida” e iniciar o processo de liquidação dos ativos para pagar os credores.

Serviços Essenciais: A Justiça determinou que os serviços públicos essenciais de telecomunicações, como os contratos com o governo e a manutenção de telefones públicos, devem continuar a ser prestados provisoriamente até que outra empresa possa assumi-los.

Perda de Valor: As ações perdem praticamente todo o seu valor. O cenário provável para o investidor é a perda total do capital investido nos papéis da empresa.

Ordem de Pagamento: Em um processo de falência, o patrimônio da companhia é liquidado para pagar as dívidas, seguindo uma ordem de preferência estabelecida pela Lei de Falências e Recuperação Judicial.

Os acionistas estão no fim dessa fila de pagamentos, atrás de:

1) Credores preferenciais (Como trabalhadores com salários e tributos federais).

2) Credores com garantias reais (como hipotecas).

3) Credores quirografários (como detentores de debêntures sem garantia real).

      Valor Residual: Para o acionista, o que resta é a possibilidade, considerada pouco provável e residual, de se habilitar para receber algum valor se houver sobra após o pagamento de todos os credores prioritários.

       O QUE O ACIONISTA DEVE FAZER AGORA?

      Com a falência decretada, resta ao acionista:

      Aceitar a Perda Prática do Investimento: Devido à prioridade legal de pagamento aos outros credores e o alto endividamento da Oi, o acionista deve, na prática, considerar o valor investido nas ações como perdido.

      Acompanhar a Habilitação de Crédito: Aguarde a publicação do Edital de Falência pelo Administrador Judicial e caso deseje se habilitar formalmente como credor para um eventual valor residual (o que é improvável), deverá seguir as instruções e o prazo estipulado pelo AJ para formalizar o pedido.

      Analisar Implicações Fiscais: A perda para fins de Imposto de Renda não é formalmente realizada enquanto as ações estiverem apenas suspensas. A perda geralmente só se torna dedutível quando há o cancelamento do registro da companhia ou a conclusão formal do processo de falência.

      ✅ CONCLUINDO……

      Em termos resumidos a falência foi o resultado da combinação de um alto endividamento histórico com o fracasso da estratégia de recuperação que, ao vender ativos para gerar caixa, acabou esvaziando a capacidade da empresa de gerar receita futura e honrar suas dívidas mais recentes e infelizmente, entendo que não há o que ser feito para mitigar os prejuízos dos pequenos investidores.

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